Procure e ache!

29 de junho de 2010

Como me fazer feliz em um dia...

Você me traz café de manhãzinha, na cama. Café quente em um copo de 300 ml. A receita é 50 ml de leite e 100 ml de café. Com açúcar e nada pra comer. Eu tomo tudo de uma vez só, sem respirar e pulo da cama.
Nós vamos pra piscina. Enquanto toca umas músicas assim, meio lúdicas, você me filma nadando (temos uma câmera que filma embaixo da água), eu te filmo nadando e também deixamos a câmera parada pra filmar a gente nadando. O segredo é não falar nada. E nadar. Eu saio da piscina correndo. Você vai atrás de mim. Eu fico correndo em círculos e você atrás. Eu mudo o sentido e te jogo na água. E a música muda.
Agora eu canto e danço. Você tem que fazer cara de iludido, se não, não dá certo. E tenta dançar junto. Claro que você não sabe dançar bem e nunca ouviu essa música antes, mas você tem certeza que quer ver isso todos os dias da sua vida. E é essa hora que a gente se beija. Sem meleira, é só bonitinho. Mas já temos fome e voltamos pra minha casa.
Macarrão. Adoro Macarrão. E você também, ou pelo menos finge gostar. De sobremesa mousse de maracujá. Eu que fiz tudo. E eu que lavo a louça, enquanto você deita no sofá e assiste alguma superprodução antiga, que hoje é bem trash e ri sozinho. Eu acabo minha parte de dona de casa rápido e vou assistir também.
Claro que esquecemos do filme, conversamos sobre nada e sobre tudo. Não deixe eu dormir. Se eu durmir, estraga. Entao eu não dormi e bebemos um vinho enquanto isso. Quando um parecer dez, pintamos um quadro. Uma tela grande, beeem grande. O desenho, bom, eu não não gosto de coisas sem sentido... Vamos pintar um casalsinho brega, correndo de mãos dadas, com o contorno bem preto e colorido com guache. Quando ficar pronto, colocamos na parede do meu quarto. Não sei em qual ainda, porque as paredes estão todas lotadas de coisas, mas a gente dá um jeito.
Você me leva, no seu carro, pro alto do morro, lá na favela, pra eu ver a cidade toda iluminada, de noite. É a coisa mais linda do mundo. Me sinto uma deusa. E ao mesmo tempo, me imagino lá embaixo, como uma mortal inútil, que só faz número e mais sujeira. Então aparece um cara com asa delta e nós pulamos, mesmo você morrendo de medo. Aterrissamos em uma avenida, sem carros e pessoa nenhuma. Vamos pra uma lanchonete na esquina. Bebemos um pouco, conversamos um pouco. Não chame nenhum amigo, eu odeio eles. E discuta sobre a indústria fonográfica e música comercial comigo. Depois me leve pra casa, com brilho nos olhos e me amando para sempre. Só não faz muita cara de bobo... Ah, você pode falar meus defeitos, eu vou ficar irritadinha e vamos brigar por cinco minutos, que é o tempo que eu chego em casa. Quando entramos no elevador, eu já esqueci isso e você também, porque estamos alegres.
Vou deitar e dormir. Você não. Abra a janela, regue a minha plantinha. Pegue o quadro que pintamos, a fita que está dentro da câmera, as suas roupas jogadas no banheiro, apague qualquer vestígio seu. Eu não vou esquecer, mesmo não tendo nada pra lembrar.
Depois disso, vá embora. E tenha a certeza que eu te acho a pessoa mais criativa, incrível e manipulável do mundo, porque matou todas as minhas vontades.

Velho diário perdido na areia, esperando que vc me leia...


...Pista vazia esperando aviões...

24 de junho de 2010

Coração, diz prá mim, porque é que eu fico sempre desse jeito?
Coração não faz assim...Você se apaixona e a dor é no meu peito!
Prá quê, que você foi se entregar? Se na verdade eu só queria uma aventura...
Porque você não pára de sonhar? É um desejo e nada mais...
E agora o que é que eu faço prá esquecer tanta doçura?
Isso ainda vai virar loucura!
Não é justo entrar na minha vida, não é certo não deixar saída, não é não...
Agora agüenta coração, já que inventou essa paixão...
Eu te falei que eu tinha medo, amar não é nenhum brinquedo!
Agora agüenta coração, você não tem mais salvação.
Você apronta e esquece que você sou eu...
"gAmElEiRa"

19 de junho de 2010

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!


Martha Medeiros

Até que a morte os separe?

- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga(o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?

Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.


Marta Medeiros




O comum é sempre mais fácil!
Não há nada mais ignorante do que responsabilizar alguém por sua felicidade!

3 de junho de 2010

Existe isso?

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? 
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. 
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. 
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. 
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. 
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. 
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. 
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". 
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

Fernanado Pessoa.